A Serpe de Passo Brandão: Sessão 6
Este é o sexto post de uma série rememorando as sessões de uma campanha de Dungeons & Dragons que arbitrei em 2025, baseada no módulo de aventura The Black Wyrm of Brandonsford.
Na última sessão, vimos a fuga dos aventureiros das garras do rei goblin Hogboon (de novo), assim como sua fuga no meio de um ataque por lobos famintos.
Nesta sessão, veremos o (novo) contra-ataque dos aventureiros contra os goblins.
A Serpe de Passo Brandão: Sessão 6 (13/04/2025)
Há um dragão na floresta. Aqueles anões amigáveis foram os primeiros a morrer, coitados. E agora a fera está matando e comendo o povo de Passo Brandão. Ninguém quer sair das muralhas da aldeia. Com os humanos fora da floresta, as fadas assumiram o controle, e agora o rei goblin Hogboon quer reivindicar toda a floresta como seu novo reino.
O grupo
- “Dom” Magnus Maximus, Guerreiro
- Corneles, Usuário de Magia
- Fytor, Guerreiro
- Sarkuth, Clérigo
Mais um plano de ataque
Descansados e acompanhados de seus auxiliares, os aventureiros saem mais uma vez em direção ao castelo goblin, clamando por sangue. Seu plano é assassinar o rei Hogboon. No caminho, avistam o troll à beira do rio, mas evitam-no. Depois de mais de uma hora de caminhada pela mata, chegam ao castelo goblin, que encontram, pela primeira vez, bem-defendido e patrulhado por guardas goblins. Os goblins parecem estar em alerta depois dos eventos do dia anterior, mas são pouco numerosos, devido a suas perdas recentes.
Os aventureiros notam que a parede colapsada pela qual entraram da última vez está em processo de reconstrução. Se esgueirando pelos guardas, eles conseguem se aproximar de uma das salas laterais do castelo, e cuidadosamente espreitam por uma janela. Dentro da sala, avistam o rei Hogboon, que parece ter mudado sua sala do trono de lugar depois da invasão para esta sala, mais segura e em melhor estado de conservação, apesar de menos imponente. Hogboon está em conferência com alguns goblins, e não nota os aventureiros à espreita. Os aventureiros preparam tochas e frascos de óleo e se posicionam em formação junto às janelas, iniciando o ataque.
Corneles lança seu feitiço de sono contra Hogboon, que cai, enquanto os demais atiram frascos de óleo flamejante para dentro da sala, bloqueando a entrada e matando alguns goblins no processo, tudo em um piscar de olhos. Os guerreiros Magnus, Hilda e Fytor invadem a sala pelas janelas, gritando, para o terror dos goblins, que mal conseguem se organizar para revidar. Magnus e Hilda correm para Hogboon caído, que executam, e Magnus toma o anel do rei, enquanto Fytor fatia um goblin. Em alguns poucos segundos, o reinado de Hogboon acabou. Com o anel em mãos, Magnus ordena que os goblins se rendam. Os guardas largam suas armas e imploram por suas vidas. Do lado de fora da sala, através do fogo, mais goblins aparecem, atraídos pelo ruído. Quando o fogo se apaga e os goblins conseguem entrar, veem Magnus portando o anel do rei, à vista do qual se ajoelham1. Magnus faz um discurso em que se declara Dom Brandão II, novo rei dos goblins2.
Reinando sobre os goblins
Com os goblins subjugados, os aventureiros exploram seu novo castelo. O “castelo” na verdade consiste em uma antiga igreja abandonada, suas paredes de pedra tomadas por vinhas. A entrada, um conjunto de portas duplas, leva a uma sala suja, onde os goblins habitam em cabanas. Para o norte, há a nave da igreja, onde os destroços de bancos de madeira podre estão jogados pelo chão e o altar foi convertido no trono de Hogboon. Para o leste da entrada há a sala onde Hogboon foi morto, suja de lama, por algum motivo3. Para o oeste, o que os goblins chamam de seu arsenal: pilhas de armas e peças de armadura enferrujadas jogadas pelo chão, modificadas à maneira rudimentar dos goblins, decoradas com dentes, penas e ossos.
Os aventureiros encontram o tesouro de Hogboon, guardado sob seu trono: 1000 peças de ouro4. Além disso, se lembram da informação que receberam do clurichaun Naggeneen e encontram 500 peças de ouro enterradas sob um arbusto de trevos de quatro folhas gigantes, com cerca de 30cm de largura, aos fundos do castelo.
Com o castelo sob controle, os aventureiros se preparam para voltar a explorar o túmulo de Dom Brandão. Magnus encanta 4 goblins, chamados Braz, Frink, Tiz e Culd, que leva consigo para a aventura, enquanto os auxiliares Ned, Laio e Malzazerick são deixados para cuidar do castelo na ausência dos aventureiros. Antes de sair, Magnus ordena que os goblins fortifiquem as paredes colapsadas com madeira e limpem a bagunça deixada para trás pelo combate. Fytor remove a cabeça do corpo de Hogboon e a finca numa estaca próxima à porta do castelo, como um lembrete para os goblins.
O túmulo de Dom Brandão
Os aventureiros seguem para o túmulo de Dom Brandão pela mata. Chegando lá, acendem tochas e entram. Na sala onde haviam encontrado os goblins originalmente, encontram rastros no chão deixados por um monstro similar a uma geleia. Eles decidem descer mais fundo, para o segundo nível da tumba, e de imediato encontram a causa dos rastros: uma geleia cinza, que não é muita ameaça para o grande número de aventureiros, acompanhados pelos goblins, e que é rapidamente despachada.
Vasculham ao redor e exploram uma sala até então desconhecida, com uma piscina redonda, em que uma gosma verde flutua, no fundo da qual há tesouros reluzentes. Fytor estende a mão para pegar os tesouros, mas é puxado pela gosma que se anima de repente: um muco verde. Fytor é completamente absorvido, correndo o risco de se afogar, e sente sua pele queimar e sua armadura desintegrar pelo muco ácido. Pensando rápido, Corneles joga a Corda do Desfardar para Fytor e o puxa para fora da piscina junto com o muco. Fytor, à beira da morte, consegue sair de dentro do muco, que é eliminado com fogo. Os aventureiros recuperam da piscina uma adaga de prata, 156po e um crânio humano com dentes de ouro, no valor de 20po.
Os aventureiros seguem em frente, encontrando uma câmara cheia de ratos gigantes, que eliminam com frascos de óleo flamejantes. Na câmara ao lado, encontram ânforas de óleo perfumado. Usando a Corda do Desfardar, levam uma ânfora consigo e saem do túmulo, retornando para o castelo goblin para que Fytor se recupere.
-
O anel goblin teve sua descrição alterada para essa campanha, em relação ao módulo de aventura. Fiz com que ele perdesse seu efeito de transformar objetos em plantas, mas ganhasse um uso diário de um feitiço de Encantar Goblins, que funciona como Encantar Pessoa mas tem como alvo 1d4 DV de goblins. Além disso, goblins universalmente reconhecem o anel e se prostram diante de seu portador, que tratam como seu rei, apesar de não seguirem ordens cegamente, sujeitos à lealdade. ↩︎
-
O jogador de Magnus teve aqui uma ideia um tanto quanto inusitada, pelo menos do meu ponto de vista: em vez de tomar o anel para si, ele tratou-o como posse comunal do grupo. Ao nomear o novo rei goblin como sendo Dom Brandão II ele não nomeava a si mesmo como rei, mas tentava criar um rei abstrato: quem quer que portasse o elmo de Dom Brandão e o brandisse o anel seria o rei goblin. Ele esperava que os goblins fossem estúpidos demais para reparar em qual humano portava o elmo e o anel, e que se fixassem na aparência externa para identificar seu rei. Assim, o grupo poderia passar o papel de mão em mão conforme fosse necessário. Admito que me pareceu uma ideia estranha na hora, mas em retrospectiva, creio que ela seja ilustrativa de uma diferença cultural entre a expectativa dos jogos old-school (a ambição individual como motor central, itens mágicos são propriedade de quem os conquista) e a prática mais comum entre jogadores modernos (o grupo deve cooperar para manter a coesão, itens mágicos devem ser partilhados). ↩︎
-
O conteúdo original da sala como consta no módulo era de alguns goblins empenhados em construir uma estátua de Hogboon a partir de barro. Determinei que essa estátua tinha sido removida quando Hogboon moveu seu trono para cá para se proteger de invasões, restando apenas a lama pelo chão. ↩︎
-
O módulo de aventura menciona que Hogboon tem um pote de moedas brilhantes, mas simplesmente não nota quantas moedas são. Na verdade, o módulo é repleto de descuidos assim. Igualmente descuidado fui eu, que não registrei em minhas anotações quantas moedas acabei por colocar no lugar, mas creio ter seguido esta recomendação de usar 1000po. ↩︎