A Serpe de Passo Brandão: Sessão 4
Este é o quarto post de uma série rememorando as sessões de uma campanha de Dungeons & Dragons que arbitrei em 2025, baseada no módulo de aventura The Black Wyrm of Brandonsford.
Na última sessão, vimos o discurso de Magnus, seguido pela captura dos aventureiros pelo rei Goblin Hogboon.
Nesta sessão, veremos a fuga dos aventureiros, assim como a primeira morte de personagem da campanha.
A Serpe de Passo Brandão: Sessão 4 (09/03/2025)
Há um dragão na floresta. Aqueles anões amigáveis foram os primeiros a morrer, coitados. E agora a fera está matando e comendo o povo de Passo Brandão. Ninguém quer sair das muralhas da aldeia. Com os humanos fora da floresta, as fadas assumiram o controle, e agora o rei goblin Hogboon quer reivindicar toda a floresta como seu novo reino.
O grupo
- “Dom” Magnus Maximus, Guerreiro
- Corneles, Usuário de Magia
- Fytor, Guerreiro
- Teodosi Vedras, Ladrão
Capturados
Após passarem a noite acampados fora do Castelo Goblin, os aventureiros são acordados por uma escolta de de 5 goblins1, que os levam em direção ao covil do dragão, ao norte, pela mata. As mulas dos aventureiros são deixadas para trás, no castelo, enquanto o grupo e os goblins seguem a pé.
Depois de alguns minutos de caminhada, os aventureiros decidem reagir, antes que encontrem o dragão. Corneles finge desmaiar para distrair os guardas goblins, enquanto Magnus rompe suas amarras, e uma luta começa. Corneles é ferido, enquanto alguns dos goblins são mortos. Um goblin foge para chamar reforços, mas é interceptado por Teodosi. Os dois duelam, e Teodosi é atravessado no peito pela lança do goblin, caindo morto2. O goblin escapa enquanto os aventureiros abatem os demais. Abalados, os aventureiros recolhem o corpo de Teodosi e fogem pela mata antes que mais goblins cheguem.
Libertos
Os aventureiros conseguem se localizar na mata encontrando o rio, onde novamente avistam criaturas saltitando e esvoaçando na superfície da água, que evadem. Retornam ao lugar onde deixaram sua carroça, que recuperam. No caminho, avistam uma raposa de pelos dourados correr pela mata. A raposa para por um instante e observa o grupo. O grupo deixa ela ir e segue seu caminho.
Os aventureiros decidem tomar refúgio temporário na cabana da bruxa Vivian. No caminho, Corneles avista uma dríade, uma linda mulher que surge detrás de uma árvore e o chama com um gesto do dedo. Encantado, ele se separa do grupo e vai na direção dela. Magnus vê Corneles sair sem explicação, como que hipnotizado e decide impedí-lo com a ajuda de Fytor. Depois de alguns minutos, o efeito passa e Corneles descreve ter visto a dríade, que agora desapareceu3. O grupo segue em frente.
Chegam na cabana da bruxa, que os recebe. Magnus a presenteia com o frasco de sangue do monstro que mataram no rio4, que a bruxa identifica como um troll, que ainda deve estar vivo depois de se regenerar. Ela fala que tais criaturas só podem ser mortas com fogo, mas que o frasco de sangue pode ser usado por ela como insumo na produção de poções de cura que, no entanto, seriam bem caras. Perguntam da raposa dourada, e a bruxa conta que ela é citada em lendas locais, e que sua pele seria de valor inestimável.
Os aventureiros seguem para a aldeia, onde notificam o xerife da ameaça dos goblins, até então desconhecida. Do comerciante local, compram todo o estoque de óleo da aldeia, preparando-se para outro encontro com os goblins. Então conversam com o Padre Guilherme, que os dá mais informações sobre Santo Arthur, sobre o qual vinha pesquisando. Os registros da igreja contam que o santo teria sido responsável pela Caçada, evento séculos atrás no qual os humanos teriam expulsado os monstros e as fadas da mata, tornando ela habitável e civilizada. Os registros não trazem nenhuma informação sobre a vida do santo depois disso, listando apenas o local de seu enterro, em uma caverna à beira de um lago, em algum lugar da mata5.
Depois de instruir os jogadores sobre Santo Arthur, o padre os apresenta a um novo aventureiro no pedaço: o clérigo acólito Sarkuth6, que havia chegado na aldeia naquela manhã, tendo ouvido rumores do dragão.
Os aventureiros preparam um funeral rápido para o falecido companheiro Teodosi. Padre Guilherme realiza os ritos, e o corpo é enterrado. Finalmente, preocupados com os perigos que se acumulam na mata, os aventureiros seguem para a Estalagem da Raposa Desajeitada, onde contratam os auxiliares Malzazerick, Ned e Laio para comporem o grupo.
-
O módulo de aventura coloca cerca de 18 goblins no castelo. Para minha campanha, re-estoquei o castelo seguindo o Monstrous Manual do ACKS II, que traz regras detalhadas para o número e composição de monstros combatentes e não combatentes. Não encontrei em minhas anotações remanescentes os números exatos que usei aqui, mas chutaria que haviam ~25 goblins combatentes e um número igual de não-combatentes. ↩︎
-
Primeira morte de personagem da campanha, por um goblin sortudo. Instruí o jogador a gerar um personagem novo enquanto a sessão seguia em frente. ↩︎
-
Minha primeira vez arbitrando um encontro com uma dríade. As regras do B/X dizem que a dríade tentará encantar um jogador, que faz uma jogada de proteção contra feitiços com -2. Caso falhe, ele andará até ser a árvore da dríade, pela qual será absorvido e de onde nunca mais retornará. Poucos detalhes são dados sobre como funciona o encanto da dríade e se é possível intervir nele depois do jogador ter falhado a jogada de proteção, então decidi que, com a vítima impedida fisicamente de ser engolida, o efeito passaria em alguns minutos. ↩︎
-
O troll do rio da última sessão. ↩︎
-
Nesta altura estou introduzindo informações de cenário e ganchos de aventura de minha criação. Minha ideia era fazer de Santo Arthur um santo de história apócrifa, apagada dos registros depois da Caçada. Tentei brincar com os alinhamentos de D&D, fazendo com que Santo Arthur tivesse sido representante da Lei ao realizar a Caçada, mas que teria passado a servir o Caos ou adotado a Neutralidade depois, e por isso sido apagado dos registros da igreja. ↩︎
-
Este personagem foi gerado pelo jogador do falecido Teodosi enquanto a sessão corria. Para agilizar o processo, usamos as regras para geração rápida de equipamentos iniciais da revista Carcass Crawler nº 2. ↩︎